quarta-feira, 28 de abril de 2010

Dermatite atópica - o que não me mata me fortalece? ²

          Ela sabia que eles jamais entenderiam sua dor, seus sofrimento, sua vergonha ou sua frustração. Desde pequena havia aprendido a conviver com algo do qual nunca pedira ou desejara, e todas as tentativas de se livrar deste mal haviam sido infrutíferas, para não dizer desgastantes, humilhantes e desanimadoras. Mas a convivência que deveria ter ficado mais fácil, ou até mais aceitável, após tantos anos, havia ficado cada ano mais difícil.

Cada vez mais crises, mais desespero, mais remédios, mais consultas... O que pra todos era só um problema de alergia, pra ela era um obstáculo em sua vida. Porque eles não tinham perdido noites e mais noites com insônia pra ficar se coçando de forma quase que não humana, enquanto o cansaço a castigava e as lágrimas de desespero rolavam... Ela teria que acordar cedo no outro dia, tinha que estudar e trabalhar, mas eram 4 horas da manhã e a alergia não lhe dava trégua. Simplesmente teria que se coçar até a pele não aguentar mais e ela dormir.

Sabia que as pioras eram referente ao novo estilo de vida, mais corrido, mais estressante, mais confuso... Nunca havia sido assim... . E ninguém,(...) entenderia.

Jamais saberiam o quão frustrante era alguém perguntar porque seu braço está vermelho e ela ter que dizer: "alergia" e ter que ouvir todas as malditas vezes: "alergia de quê???". Se ela soubesse preveniria, tinha alergia a essas pessoas, tinha alergia ao mundo!!! E todas as vezes tinha que dar uma aula sobre genética, sobre sua bisavó ter tido, sobre ela e o primo, pra enfim falar que era uma alergia a ácaros! Patético.

E depois que finalmente achou um bom médico, um bom tratamento, mesmo não tendo cura mas estando sobre controle, não se livrara dos pesadelos dos anos passados, e toda vez que seu corpo ameaçava entrar em colapso ela se entupia de remédios, seu coração acelerava de nervoso, tinha vontade de chorar e pedir: "por favor, de novo não, tudo de novo não". No fundo sabia que se tivesse que entrar em crise, entraria. Mas não queria. E sabia que agora conhecia novos remédios e a crise não duraria meses como antes, talvez uma semana. Queria continuar bem, queria se ver bem sempre... Todos os dias. E descobrira que era muito mais fácil se acostumar se vendo bem, do que mal.

Era só que odiava se ver machucada, de saber que ela mesmo fazia isso com seu corpo, porque simplesmente a coceira não era normal... e como odiava quando lhe mandavam não coçar, porque eles não sentiam como ela. Nunca sentiriam.

Esperaria a cura, ou morreria assim. Mais pra segunda opção. E vinha daí muito ser hipocondríaca, os santos remédios que a deixavam dormir e viver uma vida normal, sem ter que se machucar, sem ter que ficar respondendo o que tem no braço ou na perna, sem ter que usar roupas quentes no verão só porque tinha vergonha. No fim, sempre acabava pensando que era uma sortuda, pois haviam casos muito piores, quando passava horas na internet vendo sites e fotos, não achava que tinha estado tão mal quanto as fotos que via, ou talvez já nem se lembrasse, e pelo pior ela já havia passado mesmo, só precisava controlar seu emocional, tomar seus remédios e tudo ficaria bem.

E sabia que até o fim dos dias se perguntaria o porquê da genética ter escolhido ela...

- Caraca! Eu tava mais uma vez dando rolê na net,e encontrei esse blog com esse texto,eu achei perfeito, é o que eu sinto, e achava que só eu sentia. Tiver que copia-lo aqui, me encontrei muito nele.

http://www.aada.org.br

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