domingo, 29 de janeiro de 2012

(…) certa vez, você acordou no meio da noite, me abraçou apertado e começou a chorar. Eu acordei atordoado e acendi o abajur. Seus olhinhos, tão miúdos, estavam pequeninos me olhando e eu perguntei o que havia acontecido. Tive que perguntar nove vezes para você me mostrar suas unhas. Minha sobrancelha se manteve levantada enquanto eu observava seu esmalte vermelho descascado. Aí você suspirou e disse: “Passei esse esmalte ontem e olha como ele está.”, eu sorri enquanto enxugava suas lágrimas e você continuou: “Eu não quero que com nós dois seja assim. Não quero que termine rápido, amor.”. Acho que foi a comparação mais maluca que você já fez, mas foi uma das mais bonitas. Eu só disse que não acabaria nunca e apaguei a luz.

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